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 "A seus pés o rio, a história em seu leito, que os homens alados não ouvem contar."

 

A História de Governador Valadares             

 

      A cidade de Governador Valadares começou a surgir com a subida do Rio Doce, pelos bandeirantes e comerciantes canoeiros que vinham do Espirito Santo, no início do século XIX.

      Dezembro de 1937 - O governador Valadares assinou o decreto, criando o Município de Figueira do Rio Doce, que se instalou em 31 de janeiro de 1938 e recebeu o nome de Governador Valadares, em homenagem ao governador da época.

Em 15 de agosto de 1910, instalou-se a estação ferroviária local, com grande festa. Dessa maneira estava instaurada de vez a civilização ganhando um novo impulso com o importante meio de comércio que chega ao Porto de Vitória.
     Os tropeiros passam a exercer  importante papel nesse período, promovendo o transporte das mercadorias, seguindo atividades diversas como a extração de madeira e a implantação de pastos para a criação de bovinos, a extração de mica e pedras preciosas, a construção da rodovia Rio-Bahia, a reconstrução da estrada de ferro.

     A região do Rio Doce teve seu povoamento iniciado em meados do século XVII, após a descoberta de ouro nas proximidades de Peçanha, onde se localizava ,então, um dos principais depósitos minerais do País. Esta ocupação ocorreu em apenas parte da área, sendo as outras povoadas posteriormente, nos séculos XIX e XX, com catequização indígena e atividade cafeeira.
     As primeiras expedições à área do Rio Doce, de que se tem registro, deveram-se a Sebastião Fernandes Tourinho que, partindo de Porto Seguro, na Bahia, por volta de 1573 alcançou terras hoje mineiras. Subindo os rios Jequitinhonha e Araçuaí numa primeira expedição, retornou posteriormente pelo rio Doce com 400 homens, atingindo também os rios Santo Antônio e Guanhães.
Um dos primeiros povoados registrados na região foi o de São Miguel e Almas de Guanhães, estabelecido em torno da capela erguida em 1811 em terrenos de José Coelho da Rocha, Francisco de Souza Ferreira, Antônio de Oliveira Rosa, Faustino Xavier Caldeira e José de Oliveira Rosa. Posteriormente, foram aos poucos sendo criados os povoados de Ferros, Conceição do Mato Dentro, Paulistas e Peçanha, estando Figueira (atual Governador Valadares) subordinada a este último.
     Em 1823, é estabelecido o Quartel D. Manoel, na margem esquerda do Rio Doce, exatamente no ponto a partir do qual o rio torna-se parcialmente navegável até o mar.
     Em finais do século XIX, Dom Manuel era o principal porto fluvial no Rio Doce, no trecho compreendido entre Aimorés e Naque, transformando-se no local de encontro regular das tropas que transportavam os excedentes do noroeste da bacia do Rio Doce e das canoas que faziam o percurso acidentado do rio, trazendo produtos industrializados do litoral.
     Apenas a partir do início do século XX a ocupação do território sob estudo foi acelerada, com a constituição da Estrada de Ferro Vitória-Minas - EFVM, através do decreto 4 337, de 1º de fevereiro de 1902. Inicialmente traçada passando por Diamantina e Peçanha, a referida ferrovia teve seu curso desviado para atingir as reservas de ferro descobertas em Itabira, então controladas por capital inglês.
     Em 1925, foi instalada a primeira usina elétrica, destinada a abastecer as residências da vila. Tal usina, da firma Mafra & Irmãos, era movida a vapor de caldeira.
     Em 1936, foi criado o Partido Emancipador de Figueira, que se mobilizou para a instauração do município, o que só se deu efetivamente em 1938, como antes mencionado (...) a
 30 de janeiro quando acontece a instalação do município e a festa de posse do primeiro prefeito, Dr. Moacyr Paletta de Cerqueira Lage.

 

Fonte: Livro Memórias de Uma Cidade, de Ruth Soares.